O caso Yoani Sanchez e o direito de expressão no Brasil

yoani

Ontem o filho do jornalista potiguar Dermi Azevedo morreu. Tinha 40 anos de idade. Com apenas um ano e oito meses foi torturado pela Dops do então delegado Sérgio Fleury. Nunca mais se recuperou.

Mais um caso absurdo da ditadura militar que, até hoje, segue impune.

Recentemente, foi a vez de descobrirem a verdade sobre o deputado Rubens Paiva, morto nos porões da ditadura militar.

Um dos casos mais emblemáticos é do jornalista Vladimir Herzog assassinado em sessões de tortura.

O que todos eles têm em comum? Lutavam pelo fim da ditadura. Denunciavam abusos ocorridos pelo regime. Queriam liberdade para se expressar.

25 anos depois da nova Constituição, que estabeleceu parâmetros legais que, dentre outros avanços, garante a todos a liberdade de ter a sua opinião e divulgá-la, pessoas que se dizem “de esquerda” hostilizam a blogueira cubana Yoani Sanchez, recém chegada ao Brasil.

Yoani está refugiada no país depois de tentar por mais de 20 vezes sair de Cuba. Ela mantém um blog que denuncia os abusos do regime de Fidel Castro. Parte da esquerda acusa ela de trabalhar para os Estados Unidos.

Nos últimos anos se tornou a principal voz contra os abusos da ditadura cubana. Uma mostra de como a internet é danosa aos regimes totalitários.

Não me importa se ela trabalha ou não para os americanos. Se ela recebe dinheiro deles ou não. Não importa se ela é mais reacionária que Reinaldo Azevedo ou não, ou que as opiniões não refletem exatamente a realidade.

O que importa é que ela tenha o direito de dizer. Que seja uma voz dissonante. Críticas são boas para aperfeiçoar modelos políticos.

Aliás, quantas vozes dissonantes há em Cuba? Parte da esquerda tem de parar de acreditar que o regime de Fidel Castro instalou uma espécie de céu na terra e que os problemas de lá são culpa única e exclusivamente dos Estados Unidos.

A guerra fria acabou. Saiam da década de 60 e, por favor, entendam que os tempos são outros. Os avanços sociais de lá são inegáveis, mas como a sociedade se comporta hoje? Ela é majoritariamente a favor do regime? Quais são as aspirações reais dos cubanos?

Não podemos saber nada sobre isso porque as pessoas de lá não tem o direito de expressão.

No Brasil felizmente hoje há liberdade para o mais anarquista dos anarquistas ao reacionário mais conservador difundir suas ideias.

E para que chegássemos a esse nível, muito sangue foi derramado, muita gente foi torturada e morta.

Sou de esquerda e acredito que, antes de pensarmos qual o regime econômico mais adequado para uma sociedade, é necessário garantir que haja democracia, liberdade de expressão e, principalmente, respeito aos direitos humanos.

A economia, na minha opinião, vem depois disso tudo.

E é por defender o direito das pessoas de se expressarem, mesmo que sejam opiniões das quais eu discordo frontalmente, que acho que os protestos dessa pseudo militância contra a blogueira não passam de uma estupidez, além de desrespeitarem a memória dos que morrem e morreram lutando pela nossa liberdade de expressão.

Espero que caiam na real e percebam:  há coisas mais urgentes no Brasil para protestar. Uma democratização mais profunda no setor de comunicação é uma delas.

É preciso ampliar, diversificar e melhorar a liberdade de expressão e não tolhê-la para passar só aquilo que concordamos.

É assim que a sociedade evolui.

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  1. Girlane

    Concordo, mas é um tanto compreensível a reação raivosa de alguns militantes em relação ao caso Yoni, vejamos o espaço que esta blogueira ocupa na nossa mídia, é praticamente endeusada com poucas chances de ser mostrada outras faces da moeda, a sanha direitista da nossa imprensa não dá espaço à outras vozes. No entanto, o alvo está completamente errado, pois deveriam esbravejar contra o governo que é cúmplice do monopólio da informação desse país, sem dúvida alguma, não é assim que se luta para que outras vozes sejam ouvidas. Atitudes totalmente autoritárias que depositam sua raiva em alvos errados e não no Oligopólio midático.

  2. Carlos Eduardo da Maia

    Uma vergonha o que aconteceu com Yoani no Brasil. Ela é fundamental hoje na Cuba da dinastia Castro de 53 anos, governo autoritário e repressor que mantém o povo cubano na eterna miséria. Longa vida a Yoani e abaixo os trogloditas da ideologia.

  3. Daniela (@labirintos)

    Vejo aqui, uma grande mentira sendo acredita, de tanto que foi contada. Ditadura em Cuba? Cuba sabe mais da gente do que a gente deles. Cuba não vive um regime ditatorial, isso é superficial e tolo. O capitalismo global nos impõe ditaduras diariamente e acabamos por enxergar a ilha vizinha como um vírus. Essa moça nem existe, é uma marionete ridícula, não acredito nela.

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