Em defesa da barriga

gordinha

Se há uma grande paranoia da contemporaneidade líquida no nosso tempo, esta tem um nome só: a barriga.

A raiz do problema deve ter nascido, a algumas décadas, da cabeça de algum publicitário, ou alguém ligado no mundo da moda que determinou: mulheres não devem ter barriga.

Vale aqui uma digressão, no século XIX, as mulheres gordinhas eram consideradas o padrão de beleza da época. Até porque, naqueles anos, ser magro era sinal de pobreza.

Voltemos ao nosso tempo líquido, então.

Pois é, depois que esse sujeito teve essa brilhante ideia, o mundo feminino começou a se pautar e ficar paranoico com esse negócio chamado barriga.

Qualquer mínimo sinal de gordura era o suficiente para uma mudança brusca no humor.  E aí, deu no que deu. Modelos cada vez mais magras. Anorexias. Bulimias. E toda a merda que se seguiu adiante.

Como se não bastasse, os papas da moda e do mundo publicitário quiseram enfiar goela abaixo, no início dos anos 2000, o modelo de homem ideal. Mais conhecido como o metrossexual da barriga de tanquinho.

Apesar de ser adotado por alguns, o modelo dificilmente pegou em geral. Até porque, barriga tanquinho é antônimo de cerveja. E, assim, acredito que a negada não vai abrir mão da loira gelada por conta de uma barriga.

Eu, por exemplo, não  irei.

Enfim, acontece que hoje – em função muito da publicidade e dos padrões insistentemente repetidos – a barriga virou um objeto de repulsa. Algo que nenhuma mulher quer.

Veja só que absurdo: nosso mundo caminha para exterminar o charme de uma barriguinha flácida, cheinha, que prova que nossa fêmea – assim como nós – também é afeita aos prazeres do paladar.

Uma falta de absurdo, eu digo.

Há um quê de beleza nas carnes fartas, nas celulites e estrias do corpo feminino.

O charme só existe no imperfeito e único. Uma barriguinha saliente pode – e muitas vezes tem sim – o seu charme. Pegando carona na famosa frase de Proust: mulheres perfeitas, de revista, são para homens sem imaginação.

É por isso que sempre preferi os tons de imperfeição, como as barrigas um pouco saliente, ou com algo que as diferencie das barbies que encontramos no dia a dia.

É óbvio que corpo é corpo e o ideal é que cada um se sinta bem com o seu. Seja gordinho, magrinho ou sarado.

Mas, pelo amor de Deus, salvem as barrigas.

Porque viver em um mundo onde tudo é perfeito e ideal deve ser um saco.

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