A estupidez do livre comércio de armas de fogo

armas

Foram 26 pessoas, destas 20 crianças, todas baleadas em mais um atentado em escolas nos Estados Unidos. Um massacre que se repete em ciclos cada vez mais curtos e que traz de volta uma discussão importante: uso de armas de fogo por civis.

Nos Estados Unidos, obter uma licença e comprar revólveres, pistolas, rifles, não é burocrático, nem difícil. Você faz pela internet. Por lá, a liberdade para isso é uma questão ideológica, defendida por grupos conservadores. Uma bandeira histórica que há anos vem sendo questionado pela sua ineficiência e irracionalidade.

Por que manter a liberação de compras de armas se o resultado delas é uma alta taxa de violência, como vem sendo mostrada nos últimos anos?

O país mais poderoso, também é – dentro do mundo “desenvolvido” – o lugar onde mais se mata. Em comparação, nações que limitaram, ou proibiram o uso de armas de fogos por civis, viram suas taxas de homicídios reduzirem dramaticamente. Por uma questão de pragmatismo: não seria melhor proibir?

No Brasil a situação não é muito diferente. Apesar do processo burocrático para, legalmente, comprar uma pistola, no “mercado negro” a venda é liberada, à revelia de qualquer controle público. Resultado: encabeçamos ranking de países mais violentos do mundo, com uma taxa média de homicídios de 26 pessoas a cada 100 mil habitantes, bem maior do considerado “saudável” pela OMS.

E mesmo aqui, há grupos fortes que defendem a “liberdade” de comprar armas de fogo. No referendo ocorrido em 2005, venceu a tese com argumentos que usavam do medo para manter livre o comércio de pistolas e revolveres. E o resultado: a taxa de assassinatos e violência continua alta.

Para além dos dados e números que, a cada ano, reforçam a tese de que é estúpido manter livre a venda de armas, há uma questão humanística nisso tudo: liberar o comércio de um produto feito exclusivamente para matar outras pessoas não soa nada inteligente.

A grosso modo, se queremos mesmo diminuir os homicídios, limitar o uso de armas de fogo até por policiais é bem vindo. Há diversas maneiras hoje de imobilizar uma pessoa, à distância, sem precisar disparar um tiro contra ela. Uma morte é algo irreversível e, acho, a sociedade já deveria ter chegado a um nível de maturidade que a faça evitar este tipo de violência.

Usar a inteligência ao invés da força é um caminho para diminuir a matança dos nossos dias e evitar que massacres como o de Connecticut se repitam. Limitar e controlar o uso de armas de fogo ao máximo, com penas duras para quem descumprir a lei e forte fiscalização, é um passo importante em um caminho para uma sociedade menos brutalizada.

Agora resolver as coisas na base da bala, como ainda é feito aqui e nos Estados Unidos, só nos vai fazer derramar cada vez mais sangue.

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Um Comentário

  1. Eu

    Lamentável ler esse texto! Tomara que vc nunca caia em mãos de bandidos, pois quem tem direito a vida, tem direito de defesa! Armas são fundamentais para todo cidadão de bem!

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