O Carnatal e o uso da máquina pública em benefício privado

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Nestas calorentas terras próximas à linha do equador, o início de dezembro é sinônimo de Carnatal, o maior carnaval fora de época do país

O evento é uma cópia do carnaval baiano. Trio elétrico, abadás vendidos a preços inflacionados e o pior da música com  o axé e suingueira em um alto volume.

Até aí, não tenho problemas. É legítimo que haja a festa, muita gente gosta de pagar fortunas para cair na folia ouvindo uma sequência de bandas ruins.

O que me irrita nisso tudo é o uso do poder público para algo privado.

A primeira coisa é quanto ao local, no largo do antigo Machadão, um dos gargalos do trânsito natalense.

Se, em dias normais, passar por ali já é caótico, nos quatro dias de Carnatal vira um inferno, prejudicando a vida de milhares de pessoas que nada tem a ver com aquilo.

Todo ano me pergunto: por que não fazem o diabo desta micareta insuportável em outro lugar? Mais afastado de quem mora próximo ao corredor da folia e feito de uma forma que não se prejudique a maioria. Exigir isso deveria ser dever da prefeitura.

Mas, como em Natal o público e o privado se confundem, órgão municipal não só apoia, como patrocina um evento em que o abadá dos mais baratos custa mais de R$ 100. Investe nele sob o pretexto de “apoiar o turismo”.

O irônico é que passa o ano inteiro sem investir adequadamente na infraestrutura turística para torrar o dinheiro apenas no Carnatal.

Perguntar não dói: qual a contrapartida que o micareta dá a cidade?

Muita gente vai responder que movimenta a economia. Certo, mas movimentaria da mesma forma se fosse em um lugar privado, não em uma via pública, e se os organizadores tivessem compromissos sociais e cívicos, como fazer a coleta do lixo depois da festa.

E, sinceramente, o Carnatal não precisa da prefeitura para andar com as próprias pernas. É uma marca poderosa, reconhecida em todo o Brasil e que independe de dinheiro público para dar certo. Mas por que, ainda assim, insiste em usar o dinheiro dos nossos impostos para acontecer?

Neste ano, aparentemente, a coisa ficou ainda mais grave.

O prefeito em exercício Paulinho Freire é dono da empresa que produz o Carnatal, a Destaque Promoções. Como assumiu com a cidade em estado caótico, fez o que foi melhor para ele: usou a estrutura da prefeitura para limpar a área da micareta e alguns pontos turísticos. Enquanto isso, os bairros continuam numa situação caótica.

Em suma, o prefeito usa o seu, meu e nosso dinheiro para benefício da empresa que é dono.

Uma apropriação deslavada da máquina pública em benefício privado, crime que, infelizmente, na Natal onde ninguém se dá muito mal, passa impune.

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Um Comentário

  1. Felipe Gonzaga de Sousa

    Incrível como é continuada todo ano a “movimentação econômica” do carnatal, uma festa que só gera transtorno, porque se você quiser transitar pelas imediações antes de começar “a maior festa do Brasil”, você é proibido, e o direito de ir e vir é só de quem tem abadá ou uma autorização da semurb ou orgão responsável pela organização, opa!, peraí, num é um evento privado?
    É amigos, as imediações do mega evento já está um caos sem isto, vamo engolir mais um ano.

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