O naufrágio de Rosalba e as perspectivas para 2014

Dois anos passaram desde que Rosalba Ciarlini foi eleita governadora do Rio Grande do Norte. A sensação para o natalense, no entanto, é de novela repetida. Os últimos dados não mentem: pelo menos sete em cada dez potiguares reprovam o atual governo, fenômeno muito parecido o que ocorreu com a prefeita de Natal, Micarla de Sousa.

O naufrágio é tão dramático que a única mudança palpável feita pelo governo foi a indicação de Carlos Augusto Rosado para a Casa Civil. Rosado, que é marido da atual governadora, agora assume mais diretamente uma função que, de certo modo, já lhe cabia: a de orientar o atual governo desorientado.

A indicação provavelmente não vai surtir lá tanto efeito. Em meio a isso, a Operação Assepsia, que inclui o contrato com a Associação Marca, assombra o palácio rosalbista. Depois da prefeitura, o próximo alvo deverá ser os contratos de terceirização da saúde feitos pelo governo, todos com indícios de graves irregularidades.

E nesse meio termo, uma chance antes pequena se torna cada vez mais possível: a da inviabilidade de Rosalba tentar a reeleição. Seja pela alta impopularidade do governo – que, embora ainda haja tempo, dificilmente será revertido – seja por ter sujado as mãos com a Associação Marca e seus contratos de teor duvidoso.

Neste cenário, quem seria o candidato? O nome que mais se projeta é o de Robson Faria, atual vice-governador e, desde que foi escanteado por José Agripino e companhia, na oposição ao governo. Mas falta a Robson o que, por exemplo, Carlos Eduardo tinha em 2010, quando já se cogitava a inviabilidade da reeleição de Micarla: popularidade.

O Rio Grande do Norte vive hoje uma entressafra de lideranças. Dificilmente José Agripino ou Garibaldi Alves deixarão os postos que têm dentro da esfera federal para voltar ao cargo de governador. Isso, inclusive, seria um erro estratégico dos dois porque uma derrota encerraria uma queda dolorida para um ministro ou para o grande opositor do governo petista. Wilma de Faria e seus inúmeros casos de corrupção é outra que virou, praticamente, carta fora do baralho.

E então, quem teria alguma viabilidade de unir apoios e tentar uma cadeira no governo? O maior opositor do governo Rosalba hoje: o deputado estadual Fernando Mineiro. Mineiro faz parte de uma nova geração de políticos do RN de perfil mais técnico e que reúne condições  para conseguir desfazer o caos político que está aí instaurado.

O deputado, além disso, foi o maior vencedor das eleições municipais. Não levou por uma pequena margem de votos e desmentiu as lendas que ocorrem em torno dele: a de quem não tem carisma, por exemplo, ou de ser “ruim de voto”. Isso tudo em uma campanha que gastou uma pequena porcentagem de recursos se comparado com as de seus concorrentes e sozinho, com praticamente o apoio de só uma parte do seu partido.

É óbvio que uma candidatura ao governo precisa ser bem articulada. Mas o PT do Rio Grande do Norte tem hoje tem a sua melhor chance de finalmente deixar de ser um partido de médio porte no estado e alçar voos maiores.

Tem um bom nome para o governo, que precisa ser viabilizado pelo próprio partido, e um bom nome para o senado, que é da deputada federal Fátima Bezerra. O empecilho? A falta de ousadia do próprio partido, a mesma que preteriu o apoio a Mineiro até enxergar que o deputado tinha, de fato, chances reais de ganhar a prefeitura.

Espero que o resultado das urnas tenha servido de lição.

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