Marcado: rebeca bernardo ribeiro

Ela quer vender a virgindade

Ela quer leiloar a virgindade. Tem 18 anos de idade, cabelos pretos e ainda conserva o jeito de menina. A vez agora é da paulista Rebeca Bernardo Ribeiro, que mora no interior da Bahia e pretende seguir os passos de Catarina Migliorini, 20, que conseguiu o valor de US$ 1,5 milhão para passar a primeira noite com um desconhecido.

Rebeca justifica a iniciativa: quer ajudar a mãe, que sofreu um AVC. Os trabalhos que encontra não pagam o suficiente para ajudá-la. Vivem as duas com um salário mínimo. A menina viu no leilão da sua virgindade uma chance de mudar de vida, ou de pelo menos iniciar uma mudança. Depois do sucesso da catarinense, por que não tentaria?

O anúncio veio por meio de um vídeo na internet, nele a menina justifica a escolha e chega a dizer que queria apenas ‘perder quando cassasse’, mas que agora, sem fantasias, quer negociar a primeira noite. Segundo o que a imprensa baiana já divulgou, um empresário estaria disposto a pagar até R$ 70 mil para fazer sexo com a menina.

Não vou para condenar a escolha da garota. Ela tem 18 anos, o corpo é dela e é ela quem coloca as regras. A nossa cultura gosta de se intrometer em assuntos íntimos de cada um. Rebeca tem toda e qualquer liberdade para fazer o que bem entender com a sua sexualidade, mas, como é de se esperar, nos comentários dos vídeos e das matérias, chove os moralistas de plantão que condenam a atitude.

A questão é que toda aquela romantização da perda da virgindade não existe mais. Afinal, quantas mulheres perderam a virgindade em uma relação não consentida? Quantas fizeram isso com o namorado ou o marido e a relação foi tão traumatizante que ela prefere não mais fazer mais sexo? Ou ainda, quantas que fizeram e ainda fazem sexo pela primeira vez pensando em subir na carreira?

A atitude de Recebe é um reflexo do período em que vivemos, onde tudo se compra. Agora, o novo mercado é esse: a primeira noite de uma garota. Se há homens que querem pagar por isso e mulheres que querem vender, bingo, há um negócio que é aparentemente lucrativo. Vale lembrar que a catarinense Catarina Migliorini conseguiu US$ 1,5 milhão para vender o seu corpo pela primeira vez.

Culpar a mulher por querer “vender” a virgindade, é colocar a culpa na vítima de um assassinato, não no assassino. Enquanto houver homens que pagam para passar a noite com uma garota recém-saída da puberdade, haverá mulheres, gigolôs, atravessadores dispostos a facilitar isso. Its all about money, my friends.

O que mais me incomoda nisso tudo é justamente a falta da romantização que existia, ou se é que, de fato, um dia existiu. Isso não é culpa da menina, mas desse modelo em que vivemos que preza o pragmatismo excessivo. O que importa é o resultado, não a experiência em si. É um pensamento do tipo: “Se vou perder de algum jeito e se, provavelmente, a primeira relação será uma merda, melhor que eu ganhe um dinheiro”.  Ainda que válido, não é poético.

É triste pensar que, de uma forma ou de outra, a garota não encontrou alguém que ela gostasse o suficiente para passar a primeira noite com ele. Aliás, isto está cada vez mais difícil: encontrar alguém que gostamos o suficiente para fazer qualquer coisa.

Em uma sociedade onde o amor anda cada vez mais raro, é possível até que Rebeca nunca encontre esse cara que, nos seus sonhos, valesse a pena. E que, ao final, somando os prós e contras, vender a virgindade seja o melhor caminho. Pelo menos ela ajuda a mãe.