Para evitar que outras versões corram pela net, vou detalhar como foi a agressão por parte de alguns militantes do PSB que sofri ontem.
Estava no Centro Cultural da Zona Norte com o objetivo de cobrir a inauguração promovida pela Governadora. Wilma chegou ao local com duas horas de atraso, com uma grande comitiva e com aproximadamente 10 pessoas que gritavam palavras de ordem a cada palavra que ela falava.
Fiquei próximo dessas pessoas, porque um dos pontos da minha pauta era falar sobre eles. Nos momentos em que ela discursava, eles combinavam entre si as palavras de ordem que falariam e gritavam. Alguns usavam um broche com o símbolo do PSB. Tentei conversar com algum deles, mas não me deram ouvidos.
No final do evento, depois da inauguração, essas pessoas formaram um corredor para a governadora passar até o carro e continuaram gritando. Depois que o carro oficial saiu, eles entraram numa van. Nesse momento, me aproximei e anotei a placa e a empresa locadora da van, com o objetivo de citar na matéria.
Aí é que a confusão começou.
Nessa hora, uma das pessoas me chamou para próximo da van e perguntou o que eu estava fazendo. Falei que era repórter do Novo Jornal e que havia anotado a placa. Essa pessoa, aos gritos, mandou eu apagar as minhas anotações. Não fiz e saí do local para evitar problemas.
Depois disso, um deles saiu da van e a pediu para um policial, que ele me obrigasse a apagar a informação. Expliquei ao policial que eu era reporter, estava em serviço e que não iria apagar nada. O rapaz que fez isso era um gordinho, de camisa bege, que não me destratou e tentou resolver “amigavelmente”. Expliquei que aquele tipo de informação era pública e que eu não ia abrir mão dela.
Na saída, o fotógrafo Magnus Nascimento, que estava me acompanhando, foi fazer a foto da van, que permanecia parada. Nesse instante, desceram quatro caras do veículo, sendo o de vermelho o mais fora de si, e os quatro partiram para cima de mim, me ameaçando. O de vermelho se aproximou e começou a me agredir verbalmente e a exigir que eu apagasse as fotos e a informação.
Eu falei que não ia apagar nada e ele falou que ia me bater por causa disso.
Eu respondi: Bata. E nisso ele me deu um soco na boca.
Nesse momento, ele falou mais coisas, insinuando que ele e sua gang iriam me pegar e me bater muito. Eu me irritei e falei “Bata de novo f… da p…”, e ele me deu um tapa na cara nesse momento. Quando percebeu o que fez, ele correu para cima do fotógrafo e os outros três que sobraram começaram a me intimidar. Disseram que eu ia me arrepender, que eu não sabia com quem tava me metendo, que isso poderia gerar consequências contra mim. Em suma, me ameaçaram, até que o gordinho de camisa bege chegou e mandou os caras voltarem para a van e ficaram por lá.
Encontrei com o fotógrafo, depois que eles foram, e Magnus me garantiu que não tinha apagado nenhuma das fotos. Ele não foi agredido. Fomos então para a entrada do Complexo esperar o carro da redação. Fui com medo de que algum deles voltasse e tentasse algo mais grave, até pelo teor das ameaças que me fizeram.
O saldo disso foi lado direito da minha cara vermelha, e um lábio inchado. O agressor teve o cuidado de, na hora do soco, não acertar com força, nem em cheio e evitar assim maiores traumas e problemas para ele. Minha reação inicial foi prestar queixa, mas liguei antes para o jornal e decidir voltar para a redação, para deixar o fato registrado junto com a foto, que agora já está na rede.
A queixa contra os agressores vou prestar hoje na delegacia de Santarém.

Comentários
que vergonha para nossa terra! e parabéns pela sua coragem rapaz! vc não estava fazendo nada além do seu trabalho…é uma pena que os comunicadores ainda tenham que passar por situações como essa….
Processo neles meu chapa. Com força.
“Eu respondi: Bata.”
NINGUÉM pode replicar o fato de que você pediu pra apanhar né =D
OLÁ FÁBIO, VC ESTÁ NO BLOG DE CASCIANO VIDAL: http://www.cascianovidal.com.br
Sabe aquela história que diz que, “um cara foi fazer a matéria em um lugar (onde eu não me lembro agora) e acabou não fazendo porque o lugar pegou fogo”? No seu caso foi diferente, vc fez a matéria no meio do incêndio mesmo…
Pois é,o soco foi ruim, mas o importante é que o fato repercutiu! Vlw
A politicagem sempre gerando mal-estar, taí algo que deveria ser execrado: gente sem civilidade e educação correr atrás de gente sem vergonha na cara, ou vice-versa. Esse povo devia era ganhar uma trouxa de roupa suja por dia pra lavar…
Rapaz, e tu num desse nem um peteleco na zurêia desse caba não? Parabéns, apóstolo, destes a outra face. Sei se aguentava não. Capaz de eu ter apanho mais..rs
Ei, mas dá pra tomar uma entrochando a boca feito popaye, né? Hj tou na área. Chama o Rafa!
Valeu!
Boy, eu não sei como você manteve a calma nessa hora. Se eu tivesse visto isso tinha voado na cara do idiota.
Caraca véio, como disse, absurdo tudo isso. Nem dá pra acreditar que ainda tem gente eu pensa que pode mandar em jornalista e definir qual matéria a gente pode ou não publicar.
Vergonha bruta pra nossa cidade.
Mas… você fez jus a nossa profissão e a quem você presta serviço, a sociedade. Isso foi muito corajoso, confesso que no seu lugar, não sei se agiria com tanta firmeza. Também não sei se eles iam me agredir, mas enfim… talvez eu estivesse frustrada agora, por ter cedido às ameaças. Também não sei, eu ficaria muito puta com a “ousadia” dele.
O que quero dizer é que você é um orgulho para nossa categoria. Admiro muito você por mais essa atitude.
Pena que esses safados não sejam punidos, pena que a polícia não registre queixa por má vontade… enfim, pena que a gente viva numa cidade em que muita gente acha que o “coronelismo” ainda existe. Pena.
Bjão, te cuida =*
Fábio,
Receba minha total solidariedade. Acho que você agiu todo o tempo de forma profissional. Estou orgulhoso e honrado de tê-lo como colega de profissão. Conte comigo pra qualquer coisa que precisar nesse momento.
Abs
mano, que oindja!
que tropa de choque desequilibrada.
mete bronca, processa mesmo!
abrass
Ontem pela manhã, um gordinho (dono de um jornaleco da cidade) estava andando com alguns “pitboys” ou “pitbichas” na inauguração da nova Ceasa, sempre que a governadora andava, eles como cães adestrados latiam palavras de ordem. Não sei, mas temos que levar essas informações ao “Jornal” e ao “O Público”.
Fica a dica.
Fábio, meirmão… esses caras são iniciados na arte do crime. São a militância[ como eles se autointitulam] da discórdia e da robalheira.
Se precisar quebrar esses OTÀRIOS tamo ai p/ resolver essa treta. kkkk
Se cuida Fi e da próxima vez ao invés de levar na cara desses vermes : BATA.
Força aí, vamos divulgar esse tapa e esse soco!
Fabinho,
Os cães ladram mas a carrugagem passa.
Esses “pittbulls” aí ainda não sabem disso.
Vá em frente e nunca se deixe intimidar por esses tipos de “descomportamentos”.
Penso que talvez agora você não consiga definir bem a situação, mas quero valer-me e valer-te dela: Clarice Lispector: …”Ouve-me. Ouve o meu silêncio (Ó Natal: acrescentei). O que falo nunca é o que falo e, sim, outra coisa. Capta a “outra coisa” porque eu mesmo não posso.”
abração
tio beto
Esta eu divulgo com todo prazer e pesar.
Quem vive o dia-a-dia da pauta está sujeito a tudo, por mais esse motivo deveriamos brigar por melhores condições salariais… Além disso, é preciso tomar uma iniciativa, seja através do sindicato ou por meio do próprio agredido na justiça… Enfrentei algo parecido na última campanha. Esses “militantes” são uma escória…
Poxa
que chato.
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[...] Em seu blog, o jornalista Fábio Farias contou em detalçhes o que lhe ocorreu. Para ler, clique aqui. [...]
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